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A Lâmpada Mágica

A aventura

O Reino está em perigo e precisa de você.

Houve um tempo em que todas as criaturas mágicas viviam pacificamente, mas um mago muito poderoso enlouqueceu.

Hoje, o Mago Yule precisa de você para evitar o mal.

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Houve um tempo em que todas as criaturas mágicas viviam pacificamente, mas um mago muito poderoso enlouqueceu.

Hoje, o Mago Yule precisa de você para evitar o mal.

Últimos acontecimentos
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Há mais ou menos 32 anos
A flor mais cobiçada

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Os meses quentes já eram lembranças de dias passados. A neve cobria a floresta há semanas e o jovem bruxo precisava ir cada vez mais longe para encontrar tudo o que precisava para seus encantamentos e poções.

 

Valdemar caminhou sem perceber o tempo passar. Atravessou a floresta de Aislin, margeou o rio Innis e, finalmente, chegou ao pé da serra de Brid. Ali, entre as pedras da montanha, nasce uma uma planta muito cobiçada para a poção de mana.

 

Ele sabia que, com algumas semanas de inverno, a planta que procurava já teria se desenvolvido sob a neve. A dificuldade do bruxo era de encontrá-la com botões de flor. É da pétala desta flor que são feitas as bebidas mais poderosas.

 

A luz solar já enfraquecia, quando Valdemar ouviu um som estranho, parecido com o choro de uma criança. Ele parou por uns segundos o que estava fazendo, mas logo voltou a buscar o importante ingrediente que tanto precisava.

 

Alguns minutos se passaram e a busca se mostrava inútil. Nem botões e nem flores foram encontrados. Valdemar estava cansado e já se preparava para fazer o caminho de volta para casa. Mas uma voz fina preencheu o ar com um choro estridente, fazendo-o mudar seu percurso.

 

Vagarosamente tentou dar passos largos, para vencer a neve em que afundava seus pés. Pouco a pouco o som do choro parecia mais próximo, mas ele não conseguia ver nada, mesmo com olhos atentos.

 

Caminhou até chegar a uma pedra que se destacava sobre a neve. Deu a volta apoiando-se na rocha, até que seus olhos encontraram algo que ele não podia acreditar ou entender.

 

Um bebê, sem muita proteção contra o frio, estava deitado no chão, apenas com uma veste fina e branca a envolver seu corpo tão pequeno e frágil.

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 Seus cabelos eram tão brancos quanto o tecido que tinha sua roupa. Seus olhos redondos e inocentes eram de um negro tão profundo, que Valdemar pensou nunca ter visto nada igual. Parecia impossível que aquela criança sobreviveria por mais algum tempo exposta aquele clima.

 

Ele a envolveu em seu manto e começou seu caminho de volta, tentando encontrar um adulto ou alguém que a estivesse procurando. Mas não encontrou ninguém.

 

    - De onde você veio?

    - Como foi parar ali?

    - O que vou fazer com você?

 

Durante a volta para casa, várias perguntas surgiram na cabeça do jovem. Ele as verbalizava como se esperasse as respostas da criança. Apesar de a única resposta ser um choro alto e irritante, ele continuou a falar como se conversasse com alguém que o entendesse.

 

Sem se dar conta, chegou em casa com o bebê no colo. Este estava em silêncio há algum tempo, desde que adormecera.

 

Valdemar correu para colocá-lo em sua cama e tratou de cobrí-lo com cuidado, pouco antes de acender o fogo e preparar um caldo quente para o alimentar e o aquecer.

 

O tempo ainda precisaria passar,  para que Valdemar percebesse que aquela criança foi a flor mais importante que encontrou em suas andanças.

Mito

 

 

 

 

Durante um ano inteiro, Valdemar caminhou, todos os dias, até o local onde encontrara o bebê. Ele tinha esperança e medo de encontrar alguém que o estivesse procurando. Mas nunca encontrou ninguém.

 

Com tristeza e alívio, chegou até a pedra, na qual encontrara Mito, e novamente o local estava vazio. Olhou em sua volta por cima dos ombros, chamou e gritou, mas ninguém respondeu.

 

Um sorriso iluminou seu rosto e o medo e a tristeza desapareceram. Aquela noite seria só de alegria: Sua filha estava completando um ano. O dia do encontro ficou marcado como o dia do aniversário de Mito.

 

Ele catou todas as flores que viu pelo caminho. Voltou pra casa com um cesto enorme cheio delas. A casa, a mesa e o bolo deveriam ser enfeitados com aquela flor que foi o motivo do encontro mais importante de sua vida.

 

Um cheiro doce e familiar invadiu o quarto. Um pequeno e velho gnomo farejou o ar.

 

    - Ele está de volta! - disse, enquanto caminhava para a sala.

    - Aí está você, seu teimoso! Você não deveria sair neste frio para catar flores.

    - É o dia dela, meu amigo. - respondeu Valdemar, enquanto tirava o cesto das costas e o colocava no chão.

 

Rapidamente, o gnomo o ajuda e começa a ajeitar as flores. Os dois amigos as espalharam de forma que a sala inteira ficou ponteada de roxo. O cheiro e a cor daquelas flores dominaram todo o ambiente.

 

Definitivamente, nem o homem e nem o gnomo levavam jeito para a decoração. Mas os dois estavam felizes e se jogaram satisfeitos e cansados nas cadeiras.

 

    - Você é um grande amigo - disse Valdemar. - Bem, não tão grande! - continuou entre risos. O gnomo o fitou carrancudo por alguns segundos e então respondeu:

    - Você é um amigo muito maior que eu!

 

Os dois gargalharam alto e não conseguiram mais se olhar sem rir. Até que foram interrompidos pelo choro que vinha do quarto.

 

    - Você a acordou! Acusou o gnomo.

    - Eu? Você é quem relincha feito um cavalo. Retrucou o Valdemar.

 

Levantaram os dois na mesma velocidade e chegaram até a cesta de palha, em que deitava Mito.

 

    - Vem com o papai! Valdemar esticou os braços e a aconchegou em seu peito.

    - Ela dormiu pouco antes de você chegar com as flores. Deve voltar a dormir logo. Só acordou por causa das nossas risadas. Disse o gnomo Bedor com a voz emotiva.

    - Como está pesada e enorme! Observou o homem com espanto.

    - Acho que a estamos alimentando demais.

    - Pode ser! Pode ser! Mas hoje ela vai ficar um pouquinho mais pesadinha, né, meu bebê? - disse Valdemar com uma voz infantilizada, enquanto esfregava a ponta de seu nariz contra o nariz de Mito.

Mito reagiu ao carinho de seu pai com a risada aberta e gostosa, com que sempre respondia quando lhe tocavam o nariz.

O som da risada de Mito preenchia a casa, mas preenchia ainda mais os corações dos dois amigos babões.  Ambos assumiram a função de pai da menina desde sua chegada.

 

Foi um início difícil e conturbado de adaptação para os três. Mas a amizade e cumplicidade, entre Valdemar e Bedor, fizeram a rotina paterna ficar cada vez mais facil.

 

O Mago Valdemar era, há alguns anos, o diretor da escola de magia de Alba Etérea. E este trabalho lhe ocupava boa parte do seu dia. Por sorte ele tinha, em Bedor, o melhor amigo que alguém poderia ter.

 

Bedor era seu pupilo e assistente na escola e os dois revezavam as funções de diretor e de pai o quanto podiam. Anos se passaram, e a dinâmica entre os dois e a criança, ao longo do tempo, fez surgir uma família.

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Há mais ou menos 20 anos

O chamado de Brid

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A roda do tempo havia girado ao menos doze vezes, desde que Valdemar encontrara a pequena Mito ao pé da montanha de Brid.

A menina viveu uma infância perfeitamente adaptada à floresta e à sua família, formada por ela, Valdemar e Bedor.

 

Todas as noites, ela arrumava a mesa, enquanto seu pai, Bedor, cozinhava. Ambos esperavam Valdemar retornar de seu serviço na escola de magia para jantarem juntos.

 

Quando a velha porta de madeira da entrada rangia, anunciando a chegada de seu outro pai, Mito corria para abraçar Valdemar. Ele a beijava na testa e lhe cheirava a cabeça. Depois elogiava como ela era bonita e cheirosa. Ela, por sua vez, o abraçava forte, sorria e logo lhe tirava e guardava o manto.

 

Já na mesa, o ritual era sempre o mesmo: Bedor servia os pratos e os três comiam ao som das histórias do dia em que ela chegara na vida dos dois. Bedor e Valdemar se revezavam para contarem diferentes partes da história que ela já sabia de cor. Esperavam uma flor e ganharam outra das mãos das próprias deusas.

 

Mito sempre soube que era adotada e que seus pais fizeram o possível para encontrarem sua família de sangue. Ela cresceu em um lar tranquilo e cheio de amor paterno, mas sem muito contato com o mundo exterior. Seus pais morriam de medo de que algo lhe acontecesse.

Sua diversão era explorar a floresta e subir nas árvores para enxergar ao longe. Mito sempre procurava os galhos mais altos, que possibilitassem que ela visse a cidade. Ela se sentava e ficava horas a imaginar e a inventar histórias sobre as pessoas que nunca conheceu. Voltava pra casa cheia de coisas para contar. Seus pais davam asas à sua imaginação e lhe incentivavam a criatividade. Mas não levavam a sério os relatos, pois sabiam que eram invenções de criança.

 

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Numa manhã, o som dos ventos fortes na janela a acordou. Mito levantou depressa e se vestiu. Correu pela casa e encontrou seu pai Bedor ainda a roncar em sua pequena cama. Ela então pegou um pedaço de pão na cozinha e saiu para brincar na floresta, não muito longe de casa.

Já no caminho, parou por um instante e observou as copas das árvores. Tinha a sensação de estar sendo vigiada, mas não  viu ninguém. O roçar das folhas parecia o som de pessoas a fuxicar baixinho sobre a vida alheia. Ela riu de si e seguiu saltitando e segurando o vestido branco.

 

Um vento mais forte fez com que ela tremesse. Parecia ouvir alguém lhe chamar, mas não reconhecia aquele nome como seu.

 

    - Naya…

    - Naya, onde está você? Naya!

    - Naya!

 

Mito, olhando para cima, enquanto caminhava, tropeçou. Soltou um grito pelo susto, mas sua voz estava diferente e irreconhecível.

 

Então, a mesma voz, que parecia lhe chamar, voltou a falar com ela.

 

    - Finalmente te encontramos. Foram muitos anos de uma espera angustiante. Mas sabíamos que você estava bem, Naya.

 

A menina iniciou o caminho de volta para casa, interrompendo seus planos de brincar na floresta. Começou com passos largos, mas, à medida que ouvia aquela voz lhe chamar, se apressou e correu em silêncio, com muito medo.

 

Ao chegar em frente de sua casa, sentindo-se segura, ela gritou:

 

    - Me deixe em paz!

 

Entrou em casa chorando e foi se aninhar nos braços de Bedor. Ele, assustado, acordou e a acalmou. Mas não entendeu muito o que havia acontecido. Mesmo assim, seu peito fora tomado por medo e aflição.

A ÚLTIMA NOITE

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O restante do dia passou sem novidades, tudo estava dentro da rotina entediante. Bedor passou a tarde a ler pergaminhos e a testar poções. Mito arrumou seu quarto e treinou um pouco de bordado. Ela estava tentando bordar três corações pequenos em um manto velho de seu pai.

 

No início da noite, como de costume, Mito e Bedor arrumaram a mesa e fizeram o jantar para aguardar Valdemar. Ele chegou apressado, carrancudo, carregando uma bolsa de pano cheia de documentos antigos.

Quando a porta da frente abriu com a chegada do mago, Mito correu ao seu encontro. Mas seu pai mal lhe beijou a face e se dirigiu para o pequeno cômodo de estudos. Bateu a porta e lá de dentro gritou que não jantaria e que não deveria ser importunado.

 

Bedor e Mito jantaram juntos. Ele contou sozinho a história preferida da filha, enquanto ela lhe mostrou orgulhosa o bordado dos três corações que fizera no manto de Valdemar.

 

    - Olha, pai, somos nós três. Estaremos sempre juntos. Este maior é o papai Val, este no meio sou eu e este menor é o senhor.

 

Bedor tomou carinhosamente o bordado em suas mãos e elogiou o feito de sua filha, como se elogiasse o trabalho do mais hábil dos artesãos. Ela sorriu satisfeita e disse que logo bordaria o mesmo desenho no chapéu dele.

 

Os dois passaram algum tempo juntos a conversar enquanto arrumavam a cozinha. Bedor separou um prato com sopa e pães para Valdemar. Mito embrulhou tudo no pano mais limpo que encontrou.

 

Pai e filha já se ajeitavam para dormir, quando ela pensou em separar um maço de velas para que não faltasse a Valdemar durante sua noite de trabalho no quartinho de estudos.

 

Mito levantou depressa, vasculhou a casa até encontrar as vela e até pensou em bater à porta do quartinho para entregar. Mas achou melhor não incomodar. Silenciosamente, pousou o amarrado de velas ao pé da porta, sem chamar a atenção e foi dormir. Bedor já estava a roncar.

 

Valdemar ouviu os passos da filha sobre a madeira velha. Ele parou por um segundo o que estava fazendo, fitou a porta com um olhar confuso. Pensou em abrir e ver se precisavam de algo. Mas os documentos eram importantes e urgentes. Então voltou a se concentrar no trabalho.

 

Seus olhos já pesavam de sono, quando os primeiros raios de sol espantaram a noite. Os objetos sobre sua mesa começaram a tremer, no mesmo momento em que um estrondo ensurdecedor tomou o ar. Ele tentou inutilmente segurar a mesa e impedir que as coisas caíssem no chão. Pensou ser uma avalanche e avaliou o tempo que levaria para retirar Bedor e Mito de dentro de casa. Antes que pudesse alcançar a porta, ouviu o grito de sua filha.

 

    - Pai! Pai!

 

Valdemar então correu para o outro quarto, que já estava vazio. Percorreu toda a casa, mas os outros dois já estavam lá fora. Ouviu gritos novamente, mas, desta vez, eram de Bedor. Saiu o mais rápido que pôde.

 

Encontrou o gnomo caído ao chão, chorando compulsivamente. O ergueu e o sacudiu perguntando o que tinha acontecido. Bedor não conseguia dizer nada, mas apontou para  a direção da floresta.

 

Foi então que os olhos de Valdemar testemunharam pela primeira vez a presença do povo bridiano. Seres alvos como a neve. Eram assustadoramente numerosos e pareciam um mar de gelo. Mas eram elfos das montanhas, com suas peles, cabelos e vestes completamente cobertos por mantos brancos a confundirem-se entre si. Entre eles, muito pequena, estava sua filha arrastada pela mão.

 

    - Eles a levaram! Eu não consegui impedir! Eu fiz de tudo, pedi, implorei, gritei, mas foi inútil. Disse o gnomo Bedor.

 

Valdemar ajoelhou e chorou abraçado em seu amigo. A dor de ter falhado como pai era insuportável. Proteger sua filha era a única coisa que lhe importava na vida. Ele soluçou e seus pensamentos se voltaram para a noite anterior. Se perguntou o que poderia ter feito para impedir que a levassem. Culpou-se por não ter dado mais atenção a ela. Culpou-se por ter trabalhado tanto e ter desperdiçado o precioso tempo de estarem juntos. Culpou-se mil vezes pelas mais diversas razões. Ser pai foi sempre o seu trabalho mais fácil e, também, o mais difícil.

 

Ainda abraçados, Valdemar jurou a Bedor que traria Mito de volta para casa, ainda que tivesse que dedicar todas suas forças para isso.

 

O mago sabia que nenhum homem conseguiu subir às terras dos elfos das montanhas. Mas nada o impediria de tentar. Ele estava determinado a empenhar sua vida na busca de sua filha.

 

Valdemar sabia sobre a lenda da existência de uma lâmpada mágica muito poderosa. Mas as informações sobre tal lenda estariam muito bem guardadas nos livros proibidos da biblioteca da escola de magia. Nem mesmo ele, o diretor, teria permissão para essa leitura. Arquitetou um plano para roubar o livro. Não contou nem mesmo ao gnomo, que era seu melhor amigo.

 

Horas mais tarde, quando voltasse ao trabalho na diretoria, daria um jeito de pôr suas mãos naquelas páginas que tanto precisava.

Continue a aventura.

Conte suas histórias e publique seu ROLEPLAY.
Escolha uma das 4 casas da nossa Escola de Magia e viva a fantasia de ser um bruxo ou uma bruxa.
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Viva em um mundo mágico e seja quem você quiser. 

Seja herói ou vilão, você é quem escolhe. 

Um Orc selvagem e bruto, uma donzela com poderes, um elfo da floresta, uma sereia das profundezas...

Venha para o Reino

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